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Bíblia Online

Evangelho do Dia

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

"O Nascimento de Jesus"

"Por aqueles dias, saiu um édito da parte de César Augusto para ser recenseada toda a terra. Este recenseamento foi o primeiro que se fez, sendo Quirino governador da Síria.
Todos iam recensear-se, cada qual à sua própria cidade.
Também José, deixando a cidade de Nazaré, na Galileia, subiu até à Judeia, à cidade de David, chamada Belém, por ser da casa e linhagem de David, a fim de se recensear com Maria, sua esposa, que se encontrava grávida.
E, quando eles ali se encontravam, completaram-se os dias de ela dar à luz, e teve o seu filho primogénito, que envolveu em panos e recostou numa manjedoura, por não haver lugar para eles na hospedaria.
Na mesma região encontravam-se uns pastores que pernoitavam nos campos, guardando os seus rebanhos durante a noite.
Um anjo do Senhor apareceu-lhes, e a glória do Senhor refulgiu em volta deles; e tiveram muito medo.
O anjo disse-lhes: «Não temais, pois anuncio-vos uma grande alegria, que o será para todo o povo: Hoje, na cidade de David, nasceu-vos um Salvador, que é o Messias Senhor. Isto vos servirá de sinal: encontrareis um menino envolto em panos e deitado numa manjedoura. De repente, juntou-se ao anjo uma multidão do exército celeste, louvando a Deus e dizendo: Glória a Deus nas alturase paz na terra aos homens do seu agrado.
Quando os anjos se afastaram deles em direcção ao Céu, os pastores disseram uns aos outros: Vamos a Belém ver o que aconteceu e que o Senhor nos deu a conhecer. Foram apressadamente e encontraram Maria, José e o menino deitado na manjedoura.
Depois de terem visto, começaram a divulgar o que lhes tinham dito a respeito daquele menino. Todos os que ouviram se admiravam do que lhes diziam os pastores. Quanto a Maria, conservava todas estas coisas, ponderando-as no seu coração. E os pastores voltaram, glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham visto e ouvido, conforme lhes fora anunciado."


(Lc 2, 1-20)

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

XV Semana Bíblica Diocesana

Por iniciativa do Secretariado Bíblico da ilha de São Miguel e em colaboração com a Diocese de Angra, realizou-se a XV Semana Bíblica Diocesana. Este acontecimento, de relevo para a Igreja nos Açores, aconteceu de 23 a 27 de Novembro de 2009, no Auditório Luís de Camões, em Ponta Delgada. Os temas foram desenvolvidos nesta sequência:

Segunda-feira: Abertura da Semana Bíblica pelo Vigário Episcopal, Padre Octávio Medeiros, em representação da Diocese, que nos falou sobre a Palavra de Deus e a sua importância no nosso dia-a-dia. “Cristo Verbo Encarnado” foi o primeiro tema da Semana e foi desenvolvido pelo Padre Teodoro Medeiros, natural de S. Miguel, doutorado em Sagrada Escritura e professor no seminário de Angra. O encerramento deste dia ficou a cargo do grupo Bíblico “Espírito e Vida”.

Terça-feira: “Os teólogos que marcaram a história da Bíblia” pelo Padre Teodoro Medeiros e o encerramento do dia foi feito pelos grupos Bíblicos de São Pedro Ponta Delgada.

Quarta-feira: “S. Francisco de Assis e a Palavra de Deus”, pelo Frei Herculano Alves. O grupo Bíblico “Sal da Terra” marcou o final deste dia com a sua actuação.
Quinta-feira: “A Palavra de Deus, animação de toda a Pastoral” também pelo Frei Herculano e a concluir este dia a actuação do grupo de Jovens da Maia, que apresentou uma pequena peça de Teatro como tema “A Palavra de Deus está dentro de nós”
Sexta-feira: “Como levar a Bíblia ao povo de Deus, hoje?” tema desenvolvido pelo Frei Herculano. A concluir a Semana o grupo Bíblico “São Paulo” fez uma pequena retrospectiva de tudo o que foi falado nesta semana, através de poemas e cânticos.

Um total de 270 pessoas participaram nesta Semana Bíblica que foi também pela primeira vez transmitida em directo na internet, chegando assim a todos os emigrantes dos Açores que se encontram dispersos pelo mundo. No final, as pessoas mostraram vontade de continuar a sua formação nos cursos Bíblicos já agendados, para os meses de Janeiro e Fevereiro, aproveitando assim para solidificar os seus conhecimentos e o seu Amor á Palavra de Deus na Bíblia Sagrada.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

O Secretariado Bíblico ao encontro de Amigos

MC.6,7-9 - …Chamou os Doze e começou a enviá-los dois a dois e deu-lhes poder sobre os espíritos malignos.
Ordenou-lhes que nada levassem para o caminho, a não ser um cajado :nem pão, nem alforge, nem dinheiro no cinto; que fossem calçados com sandálias e não levassem duas túnicas.

No dia 16 de Novembro de 2009 completou-se o percurso que o secretariado bíblico de S. Miguel se propôs fazer através das oito ouvidorias e que foi iniciado a 16 do mês anterior, por proposta do seu assistente Padre Paulo Borges.

Eram objectivos principais da equipa:
Aproximar o secretariado das populações locais.
Despertar a necessidade da criação duma estrutura de formação permanente da Bíblia nas localidades, aproximar a Bíblia das pessoas.
Motivar os participantes para a leitura da Bíblia e para a afluência à Semana Bíblica que proximamente terá lugar em Ponta Delgada.

O facto de considerarmos bom o resultado deste trabalho não reside tanto na afluência de participantes, mas sim no modo como nos acolhiam e na forma como reagia à nossa intervenção.
Se, porém, fizermos uma leitura sobre os movimentos de Igreja que estiveram presentes, concluímos que: 119 Catequistas tomaram parte nas acções às oito ouvidorias; seguiram - se - lhes 19 elementos dos Grupos Bíblicos,12 leitores,18 legionários, 12 elementos de grupos corais, 8 ministros da comunhão, 5 cursistas, 5 elementos da A. Católica, 4 vicentinas, 6 romeiros, 8 acólitos, 21 jovens (escuteiros e g. de jovens)e, com menor representação, na Oração carismática, Caritas, Apostolado da O. e outros.
Participaram na nossa acção um total de 328 pessoas, com 5 Ouvidores e 5 Padres, foi imensamente gratificante para o Secretariado este convívio, simples e informal, com as pessoas das diferentes localidades.

Por todo o lado o encontro terminava com palavras de apreço, com desejo de novos encontros, com o espanto pela ESCUTA da Palavra de Deus. E, do entusiasmo com que todos partíamos
levando a esperança da BOA NOVA, nascia em nós uma vontade mais firme de continuar aquela tarefa tão estimulante e compensadora.
O Secretariado está grato a Deus que , com o Seu Espírito Santo, nos estimulou e fez de nós, frágeis “vasos de barro” ,os mensageiros da SUA PALAVRA!
Mas também registamos aqui a nossa gratidão a todos os participantes, bem como aos Senhores Padres e Ouvidores que, carinhosamente, nos acolheram e nos escutaram, quer na preparação do espaço,quer na divulgação do evento, quer ainda manifestando o seu empenho e boa vontade.


Tal como os Doze, há dois mil anos, fizemos a SEMENTEIRA.
-QUEM VAI COLHER OS FRUTOS?
-DEUS LÁ SABERÁ! …

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Jesus no Evangelho segundo Lucas

O testemunho de Lucas é também escrito por volta dos anos 80-90 D.C para as comunidades de cristãos vindos do paganismo.(Lucas, antes da conversão ao paganismo era um grego pagão)Em Jesus está o Profeta, è Deus que vem visitar o seu povo, cheio do Espírito Santo, Jesus anuncia a Boa Nova e manifesta a ternura do Pai por todos os homens.
O Evangelho de Lucas foi considerado "O Evangelho da Misericórdia, da Alegria e da Oração". Para Lucas, Jesus é o filho de Deus.


"O Evangelho da Misericórdia"
Nele aparece a ternura de Deus para com os simples e o perdão que Deus oferece aos pecadores:O paralítico perdoado (LC:5,17-26)A pecadora perdoada (LC:7,36-50)As Parábolas da Misericórdia: o publicano arrependido(LC:18,9-14)Encontro com Zaqueu ( LC.19,1-10)O ladrão arrependido (LC. 23,39-40)
O rosto de Deus manifesta-se em Jesus num rosto de Misericórdia.

"O Evangelho da Alegria"
Alegria é o clima que se cria quando Deus oferece a salvação e o Homem a acolhe.Momentos em que a Alegria se manifestou:
Nascimento de Jesus Cristo (LC1,14.44.47;2,10)Envio dos "72" a pregar (LC.10,17.20.21)A conversão (seu resultado) –(LC.15ss)
O encontro com o Ressuscitado (LC.24,41.52)

Fontes de alegria:
Manifestação de júbilo pelo encontro com Cristo.
·Os cânticos de Maria e de Simeão.
·O cântico dos Anjos.
.O regresso dos “72”
·Manifestações da multidão face aos prodígios de Jesus.

"O Evangelho da Oração"
Lucas é o evangelista que mais fala da Oração.Jesus ensina a Rezar, a Perseverar, a ser Humilde e a confiar.Dos 11 casos de oração de Jesus relatados nos Evangelhos, 7 são exclusivos de Lucas:
-Oração frequente
-De noite
-Em lugares ermos
-Em ocasiões de decisão importante
-Oração pelos outros
-Pelos algozes-Por Si
-Na cruz…

Um Esquema para ler o Evangelho de Lucas
a)
Hoje chegou a Salvação !
b) Deus tem um plano que divide a história em 3 etapas: No tempo de Israel, no tempo de Jesus e no tempo da Igreja.
c) Jesus é quem executa este plano.
d) Jesus é o Salvador!No Tempo de Israel- Começa com a História do Povo Eleito e termina com João Baptista(LC.16,16). Só quando este profeta desaparece, se inicia o Ministério de Jesus(LC.3,21-22)

No tempo de Jesus- É o espaço em que se manifesta a Salvação de forma exemplar (livre de Satanás e inundado pelo Espírito) LC.4,13;22,3 e LC.3,22

No tempo da Igreja- Que começa quando Jesus desaparece deste mundo(LC.24,50- e ACT:1,9-11) E o Espírito que tinha sido prometido se derrama sobre os discípulos.E a Igreja tem hoje por missão oferecer a SALVAÇÃO A TODOS OS HOMENS!

Notas de um Curso Bíblico, (sobre o Evangelho, segundo Lucas) Ministrado pelo Sr. Dr. Cunha de Oliveira em 2,3 e 4 de Abril/2004, no Centro Missionário "Coração de Jesus" em S. Miguel.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

"Como Levar a Bíblia ao Povo de Deus, Hoje"

1. Critério fundamental: “E necessário que toda a pregação da Igreja (...) se alimente e seja orientada pela Sagrada Escritura” (DV 21). O centro da palavra de Deus é a pessoa de Jesus, etc.

2. CRIAR ESTRUTURAS PARA PÔR EM RELEVO A PALAVRA
2.1. A Igreja nada impõe a propósito da Palavra,
nem criou oficialmente qualquer estrutura específica em relação ao estudo da Bíblia para a formação permanente dos leigos.
a)
É necessário tornar mais bíblica a pregação de certas devoções.
b)
Evitar a pregação moralista sem qualquer suporte bíblico ou com uma ligação duvidosa à Palavra.
c) É necessário promover e difundir as Comunidades da Palavra, em diferentes lugares das paróquias, onde não há possibilidade de qualquer celebração.
d) Credenciar oficialmente o “Ministro da Palavra” (DV 23). Mas, primeiramente, é necessário formá-los, com a devida preparação.
e) Fazer da Bíblia o principal instrumento da catequese de adultos, mediante a “Escola Bíblica” ou “Escola da Palavra”. A Palavra deve ser estudada, a fim de que os fiéis não caiam em leituras fundamentalistas ou moralizantes.
f) A experiência do card. Martini, em Milão, sobre a Escola da Palavra para jovens, é uma maneira muito simples e modelar de levar a Palavra aos jovens:
g) Serões com a Lectio Divina: é outro exercício popular com a Bíblia, seis dias seguidos.
h) Fundar pequenos grupos bíblicos ou Células da Palavra, a partir de breves e simples Cursos Bíblicos.
i) Para remediar catequeses demasiado superficiais e pouco “profissionais”, deveria instituir-se quanto antes o Ministério de catequista.
j) Instituir a Bíblia da Família. Uma Bíblia grande estaria em lugar especial e de destaque como sacramento da presença de Cristo na casa. Este destaque ficaria ao livre arbítrio dos membros da família que deveriam combinar o espaço, o adorno e o que fazer com a Bíblia: ler um versículo à entrada e saída, uma breve leitura partilhada todos os dias ou, pelo menos, uma vez por semana, que seria o “dia da família”, etc.
l) A Assembleia Bíblica Mundial (Bogotá, 1990) recomendou a reflexão bíblica em grupos, assim como o Sínodo dos Bispos sobre a Palavra.
m) Criação de uma Comissão ou Secretariado Episcopal para a Formação Bíblica.
Tudo isto não dispensa um Plano Nacional de Pastoral Bíblica, que aponte caminhos e pistas para a formação bíblica do povo de Deus. A DV insiste nos deveres do Magistério (papa e bispos) em relação com a pastoral da palavra de Deus.

3. Resistências a uma pastoral bíblica
a) O clericalismo tradicional, de clérigos e leigos
, que leva à passividade e a uma visão liturgizante da fé cristã, eliminando praticamente toda a dimensão profética da mesma.
b) Falta de sensibilidade do clero para uma pastoral centrada na Bíblia, que impede qualquer tentativa de renovação da Igreja.
c) Mentalidade sacramentalista dos párocos, que impedem os leigos de entrar na dinâmica da Palavra.
d) Desconfiança, por parte dos padres e bispos, dos pequenos grupos e comunidades que usam a Bíblia. Esta desconfiança dos pequenos grupos leva ao monopólio da pastoral por parte dos párocos, o que traz as consequências nefastas de todos conhecidas.
e) A este aspecto vai ligado o de certas mentalidades que lutam por uma Igreja de massas em vez de uma igreja evangelizadora através de pequenos grupos.
f) Em muitas comunidades há apenas a preocupação de levar o Catecismo às pessoas, sem levar a Bíblia.
g) Ritualismo estereotipado na celebração da Eucaristia, que afoga toda a iniciativa.
h) Marianismo ou Cristianismo?
i) Falta de confiança nos leigos (Christifideles laici)
j) Facilitismo cristão: paróquias, “loja do Cidadão” dos católicos.

4. Da Palavra à Eucaristia
4.1. Os liturgistas têm exaltado a Liturgia como espaço especializado da leitura da Palavra. E é verdade, como é afirmado na constituição Sacrossantctum Concilium do Vaticano II. Mas a Igreja não diz que este é o único espaço de contacto com os Livros Santos. Há muitos outros espaços individuais ou comunitários onde a Bíblia deveria tornar-se o alimento fundamental do cristão.
4.2. A preparação para a Eucaristia deveria começar pela preparação da Palavra, pois Cristo-Palavra tem sido, efectivamente, relegado para segundo lugar.
* Seria ideal que a homilia fosse participada, antes ou durante a celebração.
* A necessária utilização do mesmo texto que os fiéis lêem em particular ou na liturgia.

DA PASTORAL BÍBLICA À ANIMAÇÃO DE TODA A PASTORAL:
3ª descida
5. DO MOVIMENTO BÍBLICO À ANIMAÇÃO BÍBLICA DE TODA A PASTORAL

5.1 A DV 21-26 é o ponto de referência desta temática. Tem havido três etapas na formulação do Movimento Bíblico em relação com a pastoral bíblica: a) Movimento Bíblico; b) Pastoral Bíblica; e) Animação bíblica de toda a pastoral. Hoje não se fala tanto da pastoral bíblica, mas da Animação Bíblica de toda a Pastoral.

6. Ainda é actual a Pastoral Bíblica? Fica a questão: Se a Escritura deve estar presente em toda a pastoral, com toda a sua pluralidade de riquezas, haverá ainda lugar para a Pastoral Bíblica? É evidente que sim. Vários motivos, sobretudo devido à profunda ignorância bíblica dos católicos, em geral.
6.1. Papel da Palavra e da Animação bíblica da Pastoral.
6.2. Projecção de Animação Bíblica da Pastoral. Algumas pistas….

7. CONCLUSÕES: A 5ª Conferência Geral de Aparecida decidiu: animação bíblica da pastoral, cuja finalidade é animar, consolidar e guiar o ser e actividade da evangelização da Igreja: pressupõe que a Bíblia seja o sujeito da evangelização e, por esse facto, de todas as actividades pastorais da Igreja, que se converta no elemento fundante e transversal de todas as pastorais, que se considere como a sua fonte e o seu modelo, na dinâmica Bíblia e Vida.

7.1. Se Jesus é a Palavra incarnada, ao dirigir-se aos homens, a sua finalidade primeira é reunir à sua volta, convocar, formar a Igreja como comunidade da Palavra. Porque, se são convocados pela Palavra, o conjunto dos discípulos – a Igreja – não podem deixar de ser uma comunidade da Palavra. Por isso, há uma relação dinâmica entre Palavra e Igreja e esta relação é, por assim dizer, de causa-efeito: a Igreja é uma criação da Palavra (DV 8). A Igreja é ouvinte da Palavra, antes de ser anunciadora. Por isso poderia definir-se como discípula da Palavra (EN 15).

7.2. Mas tudo o que acabamos de dizer, a propósito da Palavra, desemboca, naturalmente, no carácter missionário da Comunidade cristã. O Espírito, alma da Igreja, não é um Espírito fechado ou trancado por portas ou ferrolhos, como antes do dia do Pentecostes. É urgente encontrar estruturas de acolhimento, onde, no irmão/irmã que acolhe, os que andam talvez afastados da Igreja, encontrem o rosto acolhedor de Jesus (Lc 15,1-3).
É urgente encontrar estruturas de encontro das pessoas, no sentido de desmassificar, dividir as pessoas em pequenos grupos, onde cada um encontre não só um amigo ao nível humano, mas também o lugar da vivência e da expressão da sua própria fé. É isto que fará da paróquia uma Comunidade de comunidades. Será bom pensar que a paróquia já não é o único lugar da evangelização e do encontro celebrativo da fé dos católicos. A “paroquialite” de certas pessoas, não tendo em conta este facto sócio-religioso, combate os grupos ou marginaliza-os, em vez de os integrar, como outros tantos carismas, que tanta falta fazem nas nossas comunidades.


Frei Herculano Alves, OFMCap (trabalho apresentado no 5º dia da XV Semana Bíblica Diocesana 27/11/09)

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

"A Palavra de Deus, Fonte de toda a Pastoral"

Introdução. O único Sínodo dos Bispos sobre a Palavra de Deus na Vida e na Missão da Igreja tratou os temas: A Voz da Palavra, O Rosto da Palavra, A Casa da Palavra e Os Caminhos da Palavra. Toca-nos tratar este último aspecto. Quero fundamentá-lo teológica e biblicamente, mediante a Condescendência da Palavra, partindo de João: E o Verbo se fez homem e veio habitar connosco (Jo 1,14).
Este trabalho será dividido em três partes ou três descidas da Palavra: a “Descida da Palavra eterna ao meio da humanidade”; a descida “Da Teologia da Palavra à Pastoral da Palavra”, terminando com a terceira descida: “Da Pastoral Bíblica à Animação Bíblica de toda a Pastoral”.

1. A PALAVRA ETERNA DE DEUS (LOGOS)
O Prólogo de João apresenta-nos Jesus como Palavra eterna do Pai, o que já traduz o culto que as comunidades cristãs prestavam, em forma poética e sobretudo teológica e orante, à divindade de Cristo como Palavra de Deus; por isso O intitulavam de LOGOS, Verbo (Palavra de Deus), talvez porque o termo “Sabedoria” (sophia), do AT, é feminino, o que poderia provocar algum escândalo, se fosse dado a Cristo!

2. A PALAVRA CONDESCENDENTE DE DEUS: 1ª Descida
DV 13 ressalta a “sun­katábasis” ou “con-descendência” de Deus em relação ao homem e reafirma que a Palavra de Deus é fruto do seu coração amoroso de Pai. Este tema é desenvolvido noutros números da Dei Verbum, que faz a comparação entre a encarnação do Verbo eterno na linguagem humana e no seio de Maria, ou seja, a condescendência por ter assumido a natureza humana e por ter assumido as palavras humanas. Consequência:

3. A PALAVRA MEDIADORA DA REVELAÇÃO. Porque a Palavra eterna desceu até nós, Jesus é o único mediador da Revelação de Deus à humanidade, pois só Ele conhece o Pai, e também o Pai é o único que o conhece plenamente a Ele (Mt 11,27; ver Jo 3,35-36; 13,3; Gl 1,16; Heb 1,2); É Ele a imagem do Deus invisível (Cl 1,15) e nele habita toda a plenitude de Deus (Cl 1,19). Se a Palavra é mediadora, é por ela que vamos até Deus.

4. DA TEOLOGIA DA PALAVRA À PASTORAL DA PALAVRA: 2ª descida
4.1. Sujeitos da interpretação da Bíblia

4.1.1. Pressuposto. Deus é Ágape, Logos e Pneuma. Todo o baptizado, enquanto sujeito crente, é directamente sujeito do Ágape, sujeito e intérprete da Palavra e sujeito portador do Pneuma.
4.1.2. A DV (cap. VI) trata da Sagrada Escritura na Vida da Igreja, que o Sínodo actualizou. Este tema torna o leitor sujeito da interpretação da Bíblia. Há três sujeitos de interpretação: Magistério, exegetas e povo. Cada um destes três sujeitos tem o seu espaço de interpretação da Bíblia: o bispo no espaço bíblico-jerárquico; o exegeta no espaço académico. O do povo de Deus necessita dos dois anteriores, mas deve ser um espaço com identidade específica.

5. A MISSÃO EVANGELIZADORA DA IGREJA
5.1. O que é a Pastoral Bíblica?
É o trabalho que a comunidade eclesial realiza servindo-se da Bíblia (leitura, interpretação e celebração), como instrumento de evangelização, de modo a torná-la “o apoio e o vigor da Igreja e fortaleza da fé para os seus filhos, alimento da alma, fonte pura e perene de vida espiritual” (DV 21). A tarefa da Pastoral Bíblica é a evangelização, que é a essência do agir da Igreja (EN 13). Evangelizar consiste na transmissão do Evangelho. A pastoral bíblica é a resposta aos desafios de hoje: Fundamentalismo...
Se a Igreja, sobretudo depois do Concílio, produziu tão belos documentos sobre a Bíblia para os católicos, porque é que estes se encontram no bem conhecido estado de “ignorância das Escrituras”? Para responder a esta questão, é urgente:

5.2. Evitar a ruptura entre os exegetas e o povo de Deus. Aqueles são objecto de desconfiança por parte de alguns grupos ou de algumas pessoas da Igreja. Desta crise de confiança, resulta uma certa desconfiança na própria Bíblia.

5.3. Os Agentes de Pastoral são essencialmente mediadores desta crise de confiança, entre o exegeta e o povo. Não é papel do exegeta baixar ao nível do povo; nem o povo tem obrigação de conhecer a Bíblia sem que ninguém o ensine. O que falhou na Igreja foi a acção dos Agentes da Pastoral.
* Deve, pois, haver uma relação estreita entre o exegeta e o pastoralista, sob pena de os estudos bíblicos não terem qualquer impacto real na leitura da Bíblia: relação de uma mútua colaboração.
* Podemos dizer que a relação vital entre os estudos bíblicos e a Igreja assenta em duas fidelidades inseparáveis: a fidelidade à Igreja e a fidelidade à Bíblia. Não se pode ser fiel à Igreja sem a Bíblia e não se pode ser fiel à Bíblia fora da Igreja.
* Para ser mais eficaz, a Pastoral Bíblica deve passar ainda por uma desclericalização da Bíblia.

6. Características da Pastoral Bíblica:
a) A pastoral bíblica não pode ficar encerrada em grupos católicos
, mas deve ser ecuménica, de modo a atingir outros grupos e igrejas que se reclamam do Cristianismo.
b) Esta pastoral atinge diferentes níveis e âmbitos: diocese, paróquias, grupos, famílias…
c) Uma pastoral inculturada.
O elemento fundamental de uma Pastoral Bíblica é que ela seja “inculturada”. Para que esta inculturação se faça, é necessário:
d) Uma Pastoral Bíblica que leva a uma correcta interpretação da Bíblia. A Bíblia nasceu na comunidade e é para a comunidade que ela é dirigida, a fim de se tornar alimento da comunidade (DV 21). A Pastoral Bíblica pretende levar as pessoas a ler a Bíblia com o mesmo Espírito com que foi escrita, segundo os critérios dos autores humanos e do Espírito Santo (DV 12): o fundamentalismo e o misticismo.

7. Finalidade: tornar a palavra eficaz
a) Todos estes Agentes de Pastoral Bíblica têm como cometido fundamental fazer que a palavra de Jesus se torne eficaz.
A nossa civilização ocidental deu mais importância ao aspecto noético da Palavra que à sua eficácia, ao aspecto dinâmico (próprio da mentalidade semita), embora não tenha colocado de lado este último aspecto.
b) É neste sentido ainda que se pode falar do sacramento da Palavra. Na medida em que alguém está por detrás da Palavra, esta torna-se o sacramento do encontro com esse Alguém. Portanto, a Palavra não é o fim último da Pastoral Bíblica, mas o Alguém que está por detrás da parábola-palavra humana da Bíblia. Esse Alguém constitui, verdadeiramente, a Verdade da Bíblia.
c) Um outro motivo importante que nos deve levar a um estudo sério da Palavra de Deus é o facto de a própria Bíblia ser um dos sinais dos tempos, desde há um século a esta parte.
d) Que a Bíblia se torne o mais importante do programa de vida cristã dos católicos. Ainda não faz parte.
“Segundo um recente inquérito levado a cabo em França, Espanha e Itália, 80% dos “católicos praticantes” só ouve a Sagrada Escritura na missa do domingo, e apenas 3% desse grupo lê a Bíblia todos os dias; 40% dos inquiridos acredita que S. Paulo escreveu um Evangelho e 26% afirma o mesmo sobre S. Pedro.

8. A URGÊNCIA DE UMA PASTORAL BÍBLICA ORGANIZADA
* Será que a Bíblia é a verdadeira inspiradora da vida dos cristãos em todos os seus aspectos???
8.1. Pontos a ter em conta na formação bíblica:
* A centralidade da palavra de Deus, na formação teológica do clero e dos leigos e na pastoral.
Princípio fundamental: A Igreja só se renovará a partir de pessoas que tenham amadurecido a sua fé mediante um contacto habitual com a palavra de Deus.
8.2. Critério: “E necessário que toda a pregação da Igreja (...) se alimente e seja orientada pela Sagrada Escritura” (DV 21). O centro da palavra de Deus é a pessoa de Jesus, etc.
8.3. Materiais e meios da Pastoral Bíblica:
* E urgente criar no nosso país uma cultura bíblica, sobretudo no clero.
* Alertar para a urgência da formação bíblica. O preço desta negligência: muitos católicos foram parar a seitas fundamentalistas e anticatólicas; e a juventude não recebe uma evangelização capaz.
* Mas o mais importante será a formação de ANIMADORES/AGENTES DA PALAVRA, ou de Pastoral Bíblica, que deveriam constituir um verdadeiro Ministério da Palavra.
a) Os Animadores bíblicos devem nascer dentro da comunidade, para formar comunidades-fermento.
b) Ponto de partida (DV 22): “É preciso que esteja patente aos cristãos o acesso à S. Escritura”.
c) A metodologia é o contacto individual e comunitário, com a Bíblia, para uma “leitura fiel”.
d) A pastoral bíblica não pode ser pontual e isolada, mas um processo dinamizador da pastoral.
e) Fomentar a formação de grupos de reflexão bíblica — Lectio Divina.



Frei Herculano Alves,OFMCap. (trabalho apresentado no 4º dia da XV Semana Bíblica Diocesana 26/11/09)

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

"S. Francisco de Assis e a Palavra de Deus"

S. Francisco viveu a sua vida com a consciência profunda do valor permanente e definitivo da Palavra de Deus. Santa Clara, como boa discípula do Santo de Assis, não fez mais do que seguir o seu exemplo e as suas palavras.

1. S. FRANCISCO DE ASSIS E O SEU AMBIENTE MEDIEVAL
S. Francisco de Assis, fazendo da sua vida e da dos seus um seguimento fiel de Cristo à luz do Evangelho, actuou na mais pura obediência à Igreja. Por isso, a sua reforma perdu­rou até hoje. S. Francisco quis também seguir “a altíssima pobreza de Nosso Senhor Jesus Cristo”, não como Valdo.
Francisco sentia-se o arauto de Cristo, o portador de um Evangelho, uma Boa-Nova para toda a gente. Assim, na Carta a todos os Fiéis, afirma: “A todos aqueles a quem chegar esta carta, rogamos pela caridade que é Deus (1 Jo 4,16) que benignamente acolham as sobreditas odoríferas palavras de Nosso Senhor Jesus Cristo; e aqueles que não sabem ler, peçam a outros que lhas leiam com frequência”.

2. Palavra, fonte da sua vida e dos seus escritos
2.1. Os gestos e atitudes de Francisco:
Os gestos e as atitudes de Francisco exprimem, mais que as suas palavras, o amor à Palavra de Deus, ou mais ainda, à Pessoa de Cristo. Para Francisco, as palavras de Deus são, acima de tudo, a pessoa de Jesus Cristo.
A primeira etapa deste itinerário bíblico de S. Francisco é a pequenina igreja de St. Maria dos Anjos, a etapa do chamamento à Palavra de Deus, à conversão, depois de escutar o Evangelho da missão dos Apóstolos, na festa de S. Matias. Por isso, este amor à Palavra perpassará toda a sua vida até ao fim, até ao seu Testamento, que lembra esta “revelação” de Deus:
“E depois que o Senhor me deu o cuidado dos irmãos, ninguém me ensinava o que devia fazer; mas o meu Altíssimo me revelou que eu devia viver segundo a forma do Santo Evangelho. E eu assim o fiz escrever em poucas e simples palavras e o senhor Papa mo confirmou” (Test. nº 15).

2.2. Encontro com Cristo-Palavra. Quando o caminho lhe parece demasiado tortuoso, incerto, obscuro; mesmo quando não duvida, é a consulta da bússola do Evangelho que lhe indicará o Norte.
a. Quando Bernardo pede para viver o mesmo ideal, Francisco consulta o Evangelho.
b. Quando se encontra, entre um modo de vida conventual ou mais voltado para a vida activa, vai pedir a Sta. Clara que consulte o Evangelho. Mesmo doente ou impedido de participar na liturgia, lia ou pedia que lhe lessem o Evangelho do dia. A leitura da Palavra da Escritura é um meio para o encontro com a Pessoa de Cristo.

3. A Palavra nos escritos de S. Francisco: Como lia Francisco a Bíblia?
3.1.
Não fez tratado sistemático sobre a Bíblia, mas descobriu os seus valores, o coração da Palavra.
3.2. O vocabulário bíblico de Francisco é simples: Palavra, santas palavras, “santíssimas palavras divinas”, “palavras divinas”, “palavras de Deus” “palavras de Deus”, “palavras de Cristo”, “palavras do Senhor”, “palavras ordenantes do Senhor”; “Evangelho”, “Santo Evangelho”.
3.3. Mas esta simplicidade de vocabulário contrasta com a presença massiva de citações bíblicas: 156 citações do Antigo Testamento; 280 citações do Novo Testamento, de quase todos os livros. Na Regra de 1221 há 110 citações; na de 1223 há apenas 15; mas todas as suas afirmações se aproximam de frases da Escritura.
3.4. Francisco comenta a Bíblia com palavras da Bíblia, iluminando palavras do Antigo Testamento com Novo Testamento. Isso indica que Francisco tinha percebido a unidade intrínseca dos 2 Testamentos.
3.5. Outras vezes cita a Palavra de Deus com certas modificações, acrescentando o seu comentário pessoal. Fez um pequeno tratado de exegese na 7ª admonição, em sentido literal e espiritual.
3.6. Ele vê o grave risco que é ficar na letra, isto é, no humano, material das Escritura que, com suas técnicas de interpretação, não fazem ver o Espírito de Deus.
3.7. O horizonte bíblico de Francisco é amplo. Não se fixa só nalguns textos evangélicos! As duas Regras insistem na missão e no radicalismo evangélico; os outros escritos, outros aspectos. Vê sobretudo o Novo Testamento e neste os Evangelhos com 191 citações (Mt 75; Mc 15; Lc 58; Jo 43).
3.8. Mas em Francisco não é a estatística que conta, porque o espírito bíblico dos seus escritos encontra-se também em muitas outras palavras suas, que são citações implícitas de textos bíblicos.
3.9. Francisco não ignora que, além de Palavra de Deus, a Bíblia é também essencialmente palavra humana; por isso, deve ser estudada para ser melhor compreendida.
3.10. Mas o melhor estudo não era o dos livros: “Considero a vida eterna como valor supremo e o que no estudo das Escrituras é um investigador humilde e sem presunção, esse chegará facilmente do conhecimento de si mesmo, ao conhecimento de Deus” (LM XI, I).
3.11. Este amor à Palavra leva-o a esquadrinhar o seu sentido, como Maria (Lc).

4. Conclusões
a) Os escritos de Francisco, que têm origem em situações vitais e não em preocupações académicas, reflectem o seu itinerário bíblico pessoal.
b) A sua fé na Escritura faz proclamar a comparação Eucarística – Palavra de Deus (Test. 8-13).
c) Se acreditamos que Jesus Cristo é Senhor dos que vivem a sua Palavra, teremos que concluir que Ele era verdadeiramente o Senhor de Francisco, com quem este se enamorou. d) Por tudo o que acabamos de afirmar, Francisco é para nós um modelo na vivência da Palavra.

Frei Herculano Alves, OFMCap. (trabalho apresentado no 3º dia da XV Semana Bíblica Diocesana 25/11/09)

terça-feira, 24 de novembro de 2009

"Os Teólogos que marcaram a História da Bíblia"

A Patrística. A escola da Alexandria. Estes autores foram os criadores da leitura alegórica da Bíblia.
Filão é o primeiro a ter em conta: um judeu formado na cultura grega. Defendia que as verdades eternas não podiam ser expressas em linguagem comum, mas em alegoria. Em Gen 2, 16 Deus diz a Adão para “comer livremente” de todas as árvores do paraíso: assim, para Filão, a alma humana deve adquirir todas as virtudes e não apenas uma.
Na mesma veia, Orígenes, distinguia os sentidos literal e alegórico como corpo e alma do texto, o visível e o invisível (2Cor 4, 18) de que Deus é o Criador. A leitura de Is 11, 6, que descreve como no reino messiânico o lobo habitará com o cordeiro não pode ser literal: foi esse o motivo de os judeus não terem reconhecido Jesus como Messias, uma vez que estas coisas não aconteceram.

OS PADRES OCIDENTAIS. A característica é a fuga da leitura alegórica. O grande iniciador da literatura latina foi Tertuliano.
São Jerónimo foi o que mais estudou a Bíblia e o maior biblista da antiguidade: a Vulgata é, ainda hoje, a tradução para latim mais usada. Ele usou a Héxapla de Orígenes e o texto hebraico mas distanciou-se da leitura alegórica.
S. Agostinho respondeu à questão do comportamento, por vezes inaceitável, de alguns dos patriarcas bíblicos: a linguagem tem significados que Deus pretende e que vão além da intenção do autor humano. Ele regressa à alegoria mas mantém a atenção ao sentido literal das narrações.
A Idade Média. A época que preparou muitas das descobertas que vieram mais tarde, contrariando a designação de “Idade das Trevas”. Avançou-se no conhecimento da gramática das línguas bíblicas. Destaca-se entre todos S. Tomás de Aquino. Os seus comentários envolviam filosofia tanto como teologia. Ele marca uma viragem para a consideração do sentido literal e para o uso de outros textos bíblicos para explicar um texto.

O Renascimento e a Reforma. Com o aparecimento da imprensa no séc. XV, o poderio da Igreja sofreu um resvés. As ideias espalhavam-se rapidamente e começou uma certa contestação às decisões de Roma. Aparece então Lutero, figura essencial neste período. Um monge ele próprio, revoltou-se contra a simonia e a ganância do clero, e começou a defender a doutrina da salvação pela fé, prescindindo das obras (baseado em Rom 1, 17: “o justo viverá da fé”, cf. Hab 2, 4). Escreveu 30 comentários bíblicos.
Outra figura essencial deste tempo, e o pai da exegese moderna, foi João Calvino. A sua interpretação partia do sentido literal, o que o próprio autor humano do texto pretendera transmitir; trabalhou a partir das línguas bíblicas e usou a edição crítica do NT de Erasmo de Roterdão. Tudo isto em coerência com o princípio de que a tarefa do exegeta é abrir aos leitores actuais a mente do autor antigo. Ele entrou em polémica com os Padres e as alegorias por os considerar artificiais; propôs-se escrever sobre todos os livros da Bíblia mas quando faleceu faltava ainda mais de um terço da Bíblia.
Entre os responsáveis pela resposta católica aos reformadores figuram Tomás de Vio e Roberto Belarmino. O primeiro escreveu vários comentários bíblicos que tiveram influência em Trento; o segundo foi responsável pela revisão da Vulgata, a chamada Bíblia Clementina que e que vigorou até ao Vat. II.

Iluminismo e a força da razão. Uma nova confiança no poder da inteligência humana foi visível nas ciências naturais e a razão, a nível filosófico, passou o princípio essencial para os intelectuais. Descartes Kant sobressaem na Filosofia; outros foram teólogos, como Espinoza. Este descendente de judeus portugueses defendia que a Bíblia tinha de ser conhecida de forma indutiva, tal como a natureza; muito do que ela contém é fruto de uma cultura que nos é desconhecida mais do que da verdade eterna de Deus.
Dignos de nota foram também os luteranos Bauer e David Strauss. Strauss escreveu uma “Vida de Jesus” em que considerava como mitos alguns dos acontecimentos da vida de Jesus: mito para ele era o resultado do que tinha sido visto pelas testemunhas e posteriormente enriquecido ou revestido com outras roupagens e detalhes. Ele negava não só o dilúvio, mas também o nascimento virginal de Jesus e a ascensão; o que é novo neste contexto é uma acentuada tendência a negar qualquer valor histórico aos evangelhos.

A crítica das formas, séc XX. Um pioneiro no estudo comparado da literatura bíblica foi Hermann Gunkel. O famoso “sitz in leben”, o contexto vital é aqui um conceito chave; há uma reconstituição dos estados de formação do texto, até ao ponto das suas origens não israelitas. Este método faz reconhecer os elementos mitológicos do livro do Génesis e foi mais tarde provado pela arqueologia; a autoria dos textos é vista como resultado da experiência colectiva de um povo e não de simples indivíduos.

A leitura canónica. Brevard Childs defendeu a necessidade de se fazer uma leitura canónica dos textos bíblicos. O estudo de um texto deve levar em linha de conta que os diferentes livros foram recolhidos há muitos séculos pelos redactores. Será, por isso, necessário considerar como é que estes redactores interpretavam esses livros; é a ideia de que cada texto não pode ser interpretado de forma isolada em relação ao resto do cânone.

Outras tendências recentes. Existe uma grande diversidade de correntes interpretativas, algumas dignas do nome de método, outras melhor entendidas como “aproximações”. Alguns exemplos são a recente leitura a partir das ciências sociais, como a antropologia cultural; é uma tentativa de reconstituir o ambiente daquele tempo em todos os seus aspectos. Pioneiros foram J. Elliot e Malina, entre outros.
Sob a designação de abordagem narrativa há um número cada vez maior de autores a desenvolver um trabalho meritório. Não esquecendo que a chamada análise literária engloba coisas tão diferentes como géneros literários ou assuntos de crítica textual… a novidade de que falamos aqui é a da introdução de uma série de novas palavras na linguagem exegética.
Categorias como leitor, narrador, leitor implícito, construção de personagens, caracterização das personagens, sistema de valores inerente à narrativa, ponto de vista dos intervenientes, etc. Este “método” usa as mesmas ferramentas que os autores dedicam a toda a grande literatura mundial; o objectivo é mostrar e descrever a riqueza dos textos e evidenciar a arte literária dos seus autores. Robert Alter.

Teólogos que marcaram a história da Bíblia - Textos
“Há duas razões pelas quais os textos não são compreendidos: se estão velados por sinais que são desconhecidos ou ambíguos. Os sinais podem ser simples ou metafóricos. São simples quando são usados para designar aquelas coisas para que foram orientados originalmente, como quando dizemos boi para significar o animal que todos aqueles que partilham a língua (latina) connosco chamam por este nome.
São metafóricos quando as próprias coisas que significamos com as palavras simples são usadas para significar outra coisa, como quando dizemos boi, e por esta sílaba entendemos o animal que normalmente assim é chamado, mas também por este animal entendemos o evangelista, o qual a própria escritura significa, de acordo com a interpretação do Apóstolo de não açaimarás o boi que debulha o grão (1Cor 9, 9; Dt 25, 4).
S. Agostinho, De doctrina christiana, livro 2, 15.

“Aquilo que é ensinado de forma metafórica numa parte da Escritura é ensinado de uma forma mais aberta em outras partes”.

Suma Teológica, 1.1.9

“Eu respondo que o autor Das Escrituras é Deus, a quem pertence o poder de significar o seu sentido não apenas em palavras (como o homem também faz), mas também nas próprias coisas. Assim, enquanto em todas as outras ciências as coisas são significadas por palavras, esta ciência tem a propriedade de que as coisas significadas pelas palavras têm elas próprias significado. Por isso, o primeiro significado, no qual as palavras significam coisas, pertence ao primeiro sentido, o histórico ou literal.
Aquele significado pelo qual as coisas significadas pelas palavras têm elas próprias significado é chamado sentido espiritual, que é baseado no literal e o pressupõe. Ora, este sentido espiritual tem uma divisão tripartida. Porque, como diz o apóstolo (Heb 10, 1) a Velha Lei é a figura da Nova Lei, e Dionísio diz “a Nova Lei é, ela própria, uma figura de glória futura”. Novamente, na Nova Lei, o que quer que a nossa Cabeça tenha feito é um tipo do que nós devemos fazer.
Então, enquanto as coisas da Velha Lei significam as coisas da Nova Lei, há um sentido alegórico; enquanto as coisas feitas em Cristo ou as coisas que significam Cristo são tipo do que devemos fazer, há sentido moral. Mas enquanto significam o que se relaciona com a glória eterna, há sentido anagógico. Uma vez que o sentido literal é aquele que o autor pretende e o autor da Sagrada Escritura é Deus, que por um acto compreende todas as coisas no seu intelecto, não é desadequado, como diz Agostinho, se mesmo de acordo com o sentido literal, uma palavra na Escritura tem vários sentidos.”

Suma Teológica, 1.1.10.

Para Lutero, o Novo Testamento era constituído principalmente pelo Evangelho de São João e pelas Cartas de São Paulo e São Pedro; ao contrário, os três Evangelhos sinópticos não lhe mereciam muito apreço. No prólogo de uma de suas edições do Novo Testamento, escreve:
"Deve-se distinguir entre livros e livros. Os melhores são o Evangelho de São João e as Epístolas de São Paulo, especialmente aquelas aos Romanos, aos Gálatas e aos Efésios, e a 1ª Epístola de São Pedro; estes são os livros que te manifestam a Cristo e te ensinam tudo o que precisas para a salvação, ainda que não conheças nenhum dos outros livros. A Epístola de São Tiago, diante destas, nada mais é que palha, pois não apresenta nenhuma marca evangélica".
De outro lado, nega que a Epístola aos Hebreus pertença a São Paulo; e da Epístola de São Judas, diz que é um extracto da de São Pedro e, portanto, desnecessária. A respeito do Apocalipse, expressa sua rejeição, pois não concebe que Cristo aja como um juiz severo:
"Não encontro neste livro nada que seja apostólico, nem profético"
Quanto aos livros do Antigo Testamento, faz uso do mesmo procedimento arbitrariamente selectivo de aceitá-los ou rejeitá-los conforme coincidam ou não com as suas próprias interpretações teológicas. Apesar disso, a Bíblia de Vitembergue seguiu seu incessável curso e continuou a ser aceita por um amplo sector do povo alemão e também dos países do norte da Europa.

Lluís Pifarré
http://www.veritatis.com.br/article/4894

“É Ele que nos torna aptos para sermos ministros de uma nova aliança, não da letra, mas do Espírito; porque a letra mata, enquanto o Espírito dá a vida.” (2Cor 3, 6)

A exposição forçada por Orígenes divulgou-se bastante –segundo a qual por letra dever-se-ia entender gramatical e genuíno sentido da Escritura, ou sentido literal, (como é chamado) e de que por espírito se entende o sentido alegórico que é normalmente reconhecido por ser o sentido espiritual. Dessa maneira, durante vários séculos, nada era mais difundido e aceite do que isto –que Paulo aqui fornece a chave para se expor a Escritura por alegorias, embora nada fosse mais alheio às suas intenções.
Porque pelo termo letra ele quer dizer a pregação exterior, do tipo que não chega ao coração; e, por outro lado, por espírito ele quer dizer doutrina viva, de uma tal natureza que é eficaz (1Ts 2, 13) nas mentes dos homens, pela graça do Espírito. Pela palavra letra, portanto significa-se pregação literal –ou seja, morta e ineficaz, percebida apenas pelo ouvido.
Pelo termo espírito significa-se doutrina espiritual, ou seja, não apenas dita com a boca, mas que chega de facto às almas dos homens com um sentimento vivo.

Comentário a Coríntios, João Calvino.

(Critérios para distinguir o não histórico na Narrativa dos Evangelhos)
Quando a narração é irreconciliável com as conhecidas leia universais que governam o curso dos eventos. De acordo com estas leis, em acordo com todas as justas concepções filosóficas e toda a experiência credível, a causa absoluta nunca disturba as causas secundárias por actos arbitrários actos isolados de interposição, mas antes manifesta-se na produção do agregado de causalidades finitas e da sua acção recíproca.
Quando, por isso, encontramos um relato de certos fenómenos e acções das quais é expressamente afirmado ou subentendido que foram produzidas pelo próprio Deus de forma imediata (aparições divinas, vozes do céu, e assim), ou por seres humanos possuídos por poderes sobrenaturais (milagres, profecias), tal relato adequa-se a ser considerado não histórico.
E, porquanto o misturar do mundo espiritual com o humano é encontrado apenas em registos não autênticos e não pode ser reconciliado com as concepções justas; então narrações de anjos e diabos, da sua aparição em forma humana e interferência em assuntos humanos, não podem ser recebidas como históricas.

A Vida de Jesus, David Strauss

Muitos mitos respondem a questões e ensinam. Assim é com as histórias primordiais do Génesis. A história da criação pergunta: de onde vêm o céu e a terra? Porque é o sábado santo? A narração do jardim pergunta: de onde vêm o intelecto humano e o destino da morte? De onde vêm o corpo humano e o espírito? De onde vem a linguagem? De onde vem o amor entre os géneros?
Porque é que a mulher sofre tanto no parto, o homem tem de lavrar a terra teimosa e a serpente rasteja sobre o seu ventre? E por aí fora. Nestes casos, a resposta à questão constitui o conteúdo intrínseco da história.
As histórias do Génesis, Hermann Gunkel

A aproximação canónica à Bíblia Hebraica não faz afirmações dogmáticas sobre a literatura separadas da própria literatura, como se estes textos contivessem apenas verdades intemporais ou comunicadas num idioma único, mas antes estuda-os como escritos histórica e teologicamente condicionados aos quais foi dada uma função normativa na vida desta comunidade.
Também é reconhecido que os textos tiveram uma função religiosa, em relação directa com o culto e o serviço de Deus que Israel professava ser a fonte da palavra divina. A testemunha que é o texto não pode ser separada da realidade divina de que Israel deu testemunho como sendo quem provocou uma resposta.

Introdução ao Antigo Testamento enquanto Escritura, Brevard Childs


Dr Teodoro Medeiros (trabalho apresentado no 2º dia da XV Semana Bíblica Diocesana 24/11/09)

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

"Cristo, Verbo Encarnado"



O Filho de Deus. Para se considerar Cristo como Palavra do Pai, é essencial explicar a origem e o significado que a proclamação de Filho implica: são duas proclamações inseparáveis.

Antigo Testamento. Ben, hebraico e bar, aramaico. 1- O sentido de anjos, aqueles que estão na presença de Deus e são seus mensageiros, Dan 3, 91. Esta passagem foi, mais tarde, ligada a Cristo pelos Padres da Igreja, enquanto os rabis rejeitavam a ideia de chamar os anjos de filhos de Deus. Em Sb 2, 18 o justo também é chamado filho de Deus. 2- O povo de Deus. Israel é o filho primogénito de Deus, Ex 4, 22. 3- O rei da descendência de David, 2Sam 7, 14; Sl 2, 7 (Tu és meu filho, eu hoje te gerei) e Sl 110, 1-4.


Paralelos gregos. O panteão grego de deuses inclui, obviamente, os filhos dos deuses, sendo Zeus o deus pai; o sentido dado a estes filhos é afastado da proclamação do NT. Os estóicos defendiam que cada homem, por possuir razão, é filho de Zeus; neste caso, é fácil perceber que a popularização deste conceito torna desnecessária a figura de um qualquer redentor ou intermediário entre Deus e os homens. As religiões mistéricas. É necessário esclarecer alguns mitos criados pelo início da fenomenologia das religiões: não existem precedentes de um filho de Deus que morre e ressuscita. Héracles, grego, Adónis, fenício, Átis, frígio e Osíris, egípcio, não são redentores do povo; são figuras que combatem o caos e vencem a morte, assegurando o poder dos deuses sobre o mundo e servindo de referência mítica para explicar os mistérios da existência humana. Não esquecendo que estes cultos tiveram maior difusão depois e não antes de Cristo.


Um redentor do céu. O redentor místico dos gnósticos aparece em livros como Actos de Tomé; estes são frequentemente apresentados como prova de influência sobre a cristologia cristã. No entanto, são obras do séc. III. E estão em polémica contra a doutrina cristã: há razões para crer que o gnosticismo se desenvolveu integrando elementos cristãos. Para os gregos, a “redenção” significa impor a ordem, o logos perdido. “A saga de Rómulo” de Ennio e Plutarco afirmam a descida daquele personagem ao mundo com uma missão e que termina numa ascensão: é essencial recordar que se trata de uma perspectiva neo-platonista que nega, por exemplo, qualquer hipótese de poder haver ressurreição corporal.
A presença de deuses entre os mortais é antiga (Odisseia) e nos Actos aplicada a Paulo e Barnabé. Mesmo no caso de esses deuses se relacionarem com os mortais, mantêm a sua condição distinta: os seus corpos são uma ilusão e eles não podem na realidade morrer. Entre os judeus, sobressai o chamado “metatron”; é o próprio Henoc que é entronizado ao lado de Deus como todo-poderoso, colocado acima dos anjos e príncipe do mundo. Outros casos são o apócrifo “A oração de José”, em que Jacob é chamado de um arcanjo encarnado, criado antes de todas as outras coisas: depois da sua vida, ele regressa ao lugar que antes lhe pertencia no céu.


A formulação de fé do NT. Rom 1, 3-4 é uma antiga fórmula de fé e que estabelece 2 pontos essenciais: a) a sua ascendência é davídica, portanto messiânica; b) ele é constituído Filho de Deus na glória de Deus, uma vez que ressuscitou dos mortos. Jesus é Messias porque rei dos judeus e é Filho pela ressurreição; o que liga estes 2 últimos elementos? Cf. o uso desta expressão em Paulo (Rom 8, 3. 29, 32; Gl 1, 15-16; 4, 4). Jesus é ressuscitado em continuidade com a sua intimidade com aquele a quem ele chama de Abba (Mc 14, 36; Rom 8, 15; Gl 4, 6).
Mas o verdadeiro argumento parte da Escritura: 2Sam 7, 12-14 base para a formulação que vimos em Rom 1 (bem como Lc 1, 32-33; Act 13, 33-34; Heb 1, 5). O texto de Samuel e o Salmo 2 são a base da cristologia das primeiras comunidades. Esta surge portanto como um reflexo das esperanças messiânicas profundamente judaicas. Tendo em conta que “Cristo é o fim da lei”, Rom 10, 4, então ele substitui a Torah, e isso sim, é uma afirmação forte e escandalosa.

O conceito de palavra (Logos, rhema, davar, millah, emer, )

Filosofia Grega. Heráclito foi o primeiro a usar logos, no sentido de proporção, explicação. É possível que ele entendesse também um princípio cósmico responsável pela ordem do mundo; mesmo assim, tratava-se de um conceito material e extensivo do fogo. Em Platão o conceito é um discurso ou o próprio pensamento que passa para os lábios; o discurso racional é o nível mais alto do existir, embora não garanta conhecimento a partir dos sentidos; o discurso é elevado porque leva à essência das coisas (a ousia). Para Aristóteles, o logos é definição, razão e discurso; é a racionalidade que distingue homens de animais. É possível ao homem agir correctamente se atender às normas ditadas pelo raciocinar correcto (orthos logos).
Para os estóicos Deus e a realidade eram a mesma coisa, sendo o logos o elemento racional que controla e orienta o universo. Era assim o elemento activo da realidade enquanto a matéria sem qualidade era o elemento passivo. O logos era também material, embora fosse parte da própria natureza dos homens, estava espalhado nos elementos naturais como sementes (logos spermatikoi). O platonismo ecléctico (80 aC- 220 dC) distinguia 2 aspectos da divindade, o primeiro era a transcendência, o estar separado do mundo; o outro era o poder activo que dava ordem a tudo no universo. Este último era designado por alguns destes filósofos como logos.


A versão Setenta. A versão grega do AT usa logos e rhema para traduzir davar, millah e emer. Rhema predomina no Pentateuco e logos nos livros proféticos, provavelmente porque logos abrangia mais facilmente o sentido de oráculo ou provérbio. A tradução de davar por logos implicou que, na diáspora, se estendeu o sentido de algumas passagens bíblicas que ganharam outra dimensão filosófica (cf. Sl 33, 6; Sir 39, 17-18).
A especulação judaico-helenista. Filão de Alexandria (20aC-50dC); ele tentou aplicar a filosofia para descodificar as escrituras. Sob influência do platonismo, distinguiu o logos como imagem de Deus (Ele próprio inacessível), o mais elevado de todos os seres e que serve de modelo a todos os outros; é ele o instrumento que dá ordem ao mundo. O logos tem assim o poder criador e de governo. Ele liga o poder criador à palavra Elohim e o de governo a Senhor (kyrios) que traduzia o hebraico Javeh na LXX. Em Gen 1, 7 o homem é criado de acordo com a imagem de Deus e não como sua imagem (algo que está na versão grega e não no hebraico). Filão vê aqui então o homem formado de acordo com o logos, como que em terceira mão.


O Novo Testamento. Logos comparece 331 vezes; é uma frase (Lc 20, 20), história (Mt 28, 15), uma ordem (Lc 4, 36), um provérbio (Jo 4, 37). O significado mais característico é, no entanto, o da revelação divina que se dá em Jesus; é a mensagem cristã, palavra de Jesus e palavra de Deus (Act 4, 31; 20, 32; Jo 5, 24; 12, 48; Col 3, 16). S. João faz uma espécie de resumo cristológico no seu prólogo, 1, 1-18 e merece ser estudado com algum detalhe. Os versículos 6-8 e 15 são de adição do escritor ou redactor do evangelho de João.
O logos, Targum e Midrash. Foi descoberto em 1955 o Targum Neofiti; aí se explicita, no midrash das 4 noites (sobre a Páscoa) que na criação a memra de Deus era a luz e brilhou; era a primeira noite. Também o Targum Pseudo-Jónatas de Gen 3, 24 usa elementos semelhantes, e uma estrutura semelhante também (Jo 1; a- Palavra=Deus, 1, 1-2; b- tudo foi feito por Ele, 1, 3; c- luz, 1, 4-5; c’- luz, 1, 6-9; b’- o mundo foi feito por Ele, 1, 10-13; a’- Palavra=Deus, 1, 14-18).


O gnosticismo. As descobertas de Nag Hammadi deram a oportunidade de revelar vários livros desta corrente religio-filosófica. A verdade é que se sabe pouco sobre quem eram e o que faziam os gnósticos, e estes textos são dos séculos II e III dC: mesmo assim, é admitido que o nível de redacção mais primitivo pode remontar ao primeiro século. No Protenoia Trimórfico, um redentor divino apresenta-se 3 vezes ao mundo; a terceira é sob a forma de logos ou filho:

Eu me revelei a eles nas suas tendas (skene) como palavra e revelei-me à semelhança da sua forma. E usei a roupa comum e escondi-me no meio deles.


Dr Teodoro Medeiros (trabalho apresentado no 1º dia da XV Semana Bíblica Diocesana 23/11/09)

domingo, 8 de novembro de 2009

Para compreender o relato de Caim


O livro do Génesis (c.4) relata que Adão e Eva geraram dois filhos, Caim (agricultor) e Abel (pastor). Ambos eram muito religiosos, oferecendo a Deus os frutos do seu trabalho: Caim, os produtos do campo, Abel, as primeiras crias do rebanho. Mas... a Deus só agradava a oferenda de Abel, desconhecendo-se a razão da preferência e o modo como Caim tomou conhecimento dessa discriminação, só se sabendo da amargura de Caim pela atitude divina. Então, Deus dirigiu-se a Caim (Gn 4,7), mas este não quis escutar Deus e começou a alimentar o ódio contra o seu irmão Abel, até que um dia o convidou para ir até ao campo, onde o atacou e matou.
Após um diálogo com Deus (Gn 4,10-12), Caim tomou consciência do que fizera e lançou um grito de profunda dor (Gn 4,13-14). Deus comoveu-se com o seu pranto e prometeu vingá-lo sete vezes se alguém tentasse matá-lo, pondo-lhe um sinal de protecção e salvação para que quem o visse o reconhecesse e respeitasse. Caim saiu da terra que costumava cultivar e refugiou-se no deserto.


Ao ler este capítulo, deparamo-nos com um Caim desfigurado, diferente da imagem apresentada pela tradição, já que, por um lado, ele é menos mau e, por outro, não nos é dito que Abel fosse bom (repare-se que Abel tem um papel secundário nesta narração bíblica: não diz uma única palavra, só padece, Deus não lhe fala. A figura principal é Caim. Em hebraico, o nome Abel significa nulidade ou vazio, enquanto Caim quer dizer adquirir). O facto de Deus ter preferido as oferendas de um mais do que as do outro, não significa que um fosse bom e outro mau. Era um facto comum na antiguidade, onde o rei, faraó ou imperador podiam escolher as pessoas como bem entendessem, sem que isso significasse critérios de moralidade, injustiça, ou desprezo pelos outros.
Mas o que mais chama a atenção é uma série de contradições e pormenores incoerentes com a História e o resto do relato, dos quais exemplificamos apenas três:

1) Se Caim e Abel são filhos dos primeiros humanos (que habitaram a terra há milhões de anos e eram recolectores, ou seja, viviam da caça, pesca e da recolha dos frutos espontâneos do solo) como é que podiam conhecer a pastorícia e a agricultura que só surgiram em 10.000 a.C. e 8.000 a.C., respectivamente?

2) Depois do seu crime, Caim afirma que o primeiro a encontrá-lo o matará (Gn. 4, 14), mas quem poderia matá-lo se não existia mais ninguém a não ser Adão e Eva?

3) No v. 17 refere-se que "Caim concebeu e deu à luz Henoc". Onde é que ele arranjou mulher? Alguns chegaram a supor que se tratasse de Eva, a sua própria mãe, pois nessa época o incesto não estava proibido.

Hoje, os estudos bíblicos ensinam que a história de Caim apresenta estas incoerências, porque passou por três etapas sucessivas até acabar no relato do Génesis.
a. No início era um conto popular, transmitido oralmente e independente do relato de Adão e Eva, onde se narrava a história do herói Caim, fundador da tribo dos caimitas, vizinhos dos israelitas. A história incluía também o seu casamento, talvez com alguma das muitas jovens pertencentes aos clãs que então habitavam o deserto e o nascimento do seu filho Henoc. Esta história seria contada pelos próprios caimitas, orgulhosos do seu fundador Caim.

b. Quando esta história chegou aos ouvidos dos israelitas, estes modificaram-na em vários aspectos. Os caimitas viviam em pleno deserto, dedicando-se à pilhagem de outras tribos e, por isso, os israelitas consideraram que era um castigo de Deus por algum delito cometido pelo seu fundador. Não sabiam qual era o delito, mas como os caimitas assolavam permanentemente as colheitas das tribos suas irmãs de raça, imaginaram que fosse um delito contra o seu irmão. Além disso, esses beduínos eram famosos pelas terríveis vinganças que perpetravam contra quem matava um dos seus membros, daí a referência que aparece no v. 15 e também é possível que a dita tribo apresentasse exteriormente algum sinal ou tatuagem. Nesta segunda etapa, a tradição hebraica transformou o herói dos caimitas num fratricida castigado por Deus a viver uma vida errante.

c. Na época do rei Salomão, a história passou a uma terceira etapa. O lavrador expulso da terra cultivável e condenado a errar para sempre, prestava-se para aprofundar a explicação sobre a presença do mal no mundo. Com alguns retoques, a história foi colocada a seguir ao relato de Adão e Eva, apesar das incoerências daí resultantes. Nessa época já se colocavam questões angustiosas como as da existência do mal e o motivo do sofrimento. O autor bíblico respondeu com a história de Adão e Eva: porque o homem desobedeceu a Deus, ao comer o fruto proibido, preferiu a sua própria vontade à do Criador e cortou relações com Ele. Ao acrescentar a história de Caim, condenado a uma vida penosa e dura, por faltar contra o seu irmão, completou o seu ensino, dizendo que o mal cresce no mundo pelos delitos contra os outros homens.

Assim, trata-se do segundo pecado original. O relato de Adão e Eva (Gn 2 e 3) tinha quatro partes: ordem de Deus (não comer o fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal; Gn2,17), desobediência do homem (comeu-o; Gn 3,6), castigo de Deus (Gn 3,14) e esperança de salvação (Deus fez a Adão e Eva túnicas de peles e vestiu-os; Gn 3,21). Também o relato de Caim e Abel apresenta as mesmas partes: ordem de Deus (se procederes bem..., se procederes mal...; Gn 4,7), desobediência do homem (Caim mata o irmão; Gn 4,8b), castigo de Deus ("serás amaldiçoado pela terra..."; Gn 4,11), esperança de salvação (o Senhor marcou-o com um sinal...; Gn 4,15b). Quer dizer, o autor pretende propor o mesmo tema que o relato de Adão e Eva: a origem do mal, mas agora com uma resposta diferente. No primeiro a explicação do mal no mundo dependia das relações do homem com Deus, no segundo depende da ruptura de relações com o irmão.

A lição de Caim é revolucionária para a sua época e pretende deixar claro que o crime contra o irmão é tão grave quanto o crime contra Deus.

(Adaptado de Ariel Álvarez Valdés, com tradução de Lopes Morgado, Revista Bíblica, nº 310)

terça-feira, 27 de outubro de 2009

"Como Marcos viu Jesus"

Marcos era discípulo de Pedro e companheiro de Paulo. (1Pd.5,13 ; act.12,12)
Terá sido quem primeiro pôs por escrito, duma forma ordenada, a memória de Jesus Cristo.
Para Marcos Jesus “Filho de Deus” revela-se profundamente humano de contrastes desconcertantes: È acessível, distante, acarinha e repele, impõe segredo e manda apregoar.
É uma” Figura Misteriosa”: Encerra em si, conjuntamente, um homem verdadeiro e um Deus verdadeiro.
Evangelho segundo São Marcos:
1ª PARTE – Jesus preocupa -Se com o acolhimento do povo; atende às suas necessidades e ensina.
2ª parte - Jesus volta - Se principalmente para os apóstolos que escolheu.
Com sábia pedagogia vai-os formando, revela-lhes progressivamente o plano de salvação. É um relato de Jesus muito humano e próximo de nós.
Jesus ensina não por meio de grandes discursos, mas por meio de acções.
É grande a importância dada aos milagres de jesus!

A verdadeira identidade de Jesus para Marcos: Jesus crucificado / sofredor
E os factos são relatados na sua crueza e sem comentários.
Assiste-se a um “ fracasso” lamentável. Vai -se acompanhando um homem ultrajado, abandonado por todos, até pelos discípulos, até por Deus, aparentemente, e que morre no mais completo despojamento.
E… Messias - Mas com a sua Morte e Ressurreição, demonstrou ser verdadeiramente o Filho de Deus, que a todos possibilita a Salvação.

A humanidade de Jesus Cristo, um ser para os outros:
Compadece-se com os que sofrem (Mc.1,14)
Admira-se (Mc.6,6)
Indigna-se (Mc.10,14)
Põe o homem acima da lei ( Mc.2,27)
Realiza Milagres
Cura doentes e atormentados
Compadece-se com os que sofrem
Tem gestos de carinho
Expulsa demónios
Morre por todos
Manda o seu Espírito
O povo apercebe-se duma nova doutrina:
Mc.2,9-12………..Paralítico curado
Mc.2,27………….O dia de sábado
Mc.3,31-35……...Nova família de Jesus
Mc.8,34-38……...Condições para seguir Jesus
Mc.9,33-37……...Quem é o maior?
Mc.9,42………….Quem escandalizar uma criança…
Mc.10,15………..Quem não receber o reino…
Mc.16,9-15………Jesus Ressuscitado

O túmulo vazio é a Vitória sobre a morte! MC.16,5-8
Somos nós, hoje, quem deve anunciar e viver a Ressurreição, porque o Espírito Santo está connosco!

(Notas extraídas dos Cadernos Bíblicos - Difusora Bíblica)
Secretariado Bíblico de S. Miguel

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Evangelho segundo São Mateus

É , sobretudo, o evangelho segundo Mateus que mais insere o leitor na revelação que Jesus faz de Si mesmo através da Palavra.
È utilizada a forma que a Bíblia usou para transmitir as palavras de Moisés.
"O Discurso"
O Evangelho, segundo Mateus é mais ou menos um Novo Pentateuco, em que a pregação de Jesus se apresenta em cinco grandes discursos:

"Discurso na montanha" (MT.5)
Montanha – lugar da revelação de Deus a Moisés ( o Sinai) = lugar adequado à pregação de Jesus.
Para Mateus, Jesus é o Mestre definitivo em Israel . Atribui a Jesus uma autoridade superior à de Moisés
( e a todos os mestres : escribas e doutores da Lei)
Aqui Jesus é apresentado como alguém que fala com autoridade e não como os doutores da lei ou os escribas.
"Discurso Missionário" (MT.10)
Contém disposições que Jesus dá aos apóstolos para continuarem a Sua Missão.
É importante notar que é sempre a Palavra de Deus, que guia a actividade missionária.
MT:10,20- “ Não sereis vós a falar, o Espírito do vosso Pai é quem falará por vós”.
"Discurso em Parábolas "
É um modo característico de falar e de envolver o ouvinte, que Jesus utilizava. Ninguém, melhor do que Ele, soube perceber a presença de Deus nas circunstâncias e nas personagens da vida de todos os dias:
A sementeira - a colheita – a pesca –a amassadura do pão – a vida de família - a relação servo/ patrão – a relação pais / filhos -
pastor/ rebanho…
Nas parábolas de Jesus, a vida quotidiana torna-se o lugar privilegiado da presença de Deus e da difusão do Reino.
Deus já não está fechado na esfera do sagrado, inacessível ao homem. Mas revela -Se na vulgaridade dos dias e dos gestos…graças a estas “parábolas”.

"Discurso Comunitário" (MT.18)
A comunidade que Jesus reúne à volta da sua Palavra é a comunidade messiânica, que chegou ao termo da revelação de Deus. Nela não se privilegia a lei da justiça estrita, mas a lei do perdão, da correcção fraterna, da reconciliação e do acolhimento mútuo.
Cada um dos seus membros tem a consciência de que “JESUS ESTÁ NO MEIO DELES”

"Discurso Escatológico" (MT.21-25)
Contém o que a Palavra de Jesus nos deixou acerca dos últimos acontecimentos do Homem e do Mundo. Neste discurso emerge o juízo que Deus pronunciará acerca de cada homem, baseado na coerência entre a fé na Palavra de Jesus e o acolhimento aos irmãos: “ tinha fome , tinha sede, estava nu, estava doente…) e assististes-Me ( ou não Me assististes…)
No centro do Evangelho, segundo Mateus, está portanto a Palavra. Não uma palavra abstracta, sem eficácia, como já se considera a palavra da nossa civilização.
É , pelo contrário, a palavra das Bem-Aventuranças, do Pai Nosso, do Perdão, do Anúcio do reino dos céus no meio de nós, na Pessoa e na Palavra de Jesus! "

(notas extraídas do livro” Guia para ler a Bíblia”-pgs.200)

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Visita ao Grupo Bíblico "Sal da Terra"

Mais de três dezenas de pessoas, após a Eucaristia das vinte horas, dirigiam -se ao salão paroquial da freguesia da Covoada, onde iriam ter um tempo de oração em grupo, seguido dum tempo de leitura e partilha da CARTA DE S.TIAGO-1,21-25.
Quer a oração, quer a partilha foram acompanhadas de cânticos: um dedicado à ”Virgem de Nazaré” e o outro à Palavra de Deus:“ Fala, Senhor, pela Bíblia”.
Todo o encontro foi sendo de franco e alegre convívio.
Os elementos do Secretariado sentiram-se bem acolhidos pelo “Sal da Terra”, quer pela amabilidade de todos expressa em palavras ou sorrisos, quer ainda, por terem sido brindados com uma citação bíblica, gostosamente enquadrada num marcador para a Bíblia, que a Animadora de Grupo fez passar numa cestinha por todos os presentes.
Todos leram, a pedido da Animadora a citação recebida, para enriquecimento mútuo.
A partilha incidiu particularmente na urgência, de se ESCUTAR a Palavra de Deus e de cada um tomar consciência dessa urgência, bem como de se tornar agente activo da sua formação pessoal.
Houve ainda um tempo para informações sobre actividades do Secretariado e de actualização de dados do grupo visitado.
Terminado o encontro , todos se mostraram disponíveis para outras acções com a PALAVRA DE DEUS.

A coordenadora do S.B.
Regina Pinheiro

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Ser Crente !


Ser crente não por tradição social, mas por confissão pessoal exige esforço, depende da vontade, mas é nisso mesmo que consiste a glória e a plenitude do ser.
É este o caminho da maturidade e do gosto de viver!
È aqui que reside a liberdade de seguir, por convicção, o caminho proposto.
“ Convertei-vos” porque está próximo o reino do Céu”-Mt.4,17
“ Arrependei-vos e acreditai na boa nova”-Mc.1,14-15
É Palavra de Jesus a ecoar na vida e no coração dos que se sentem chamados, na vida e no coração dos que optam livre e conscientemente por seguir o Mestre e acreditar na Sua Palavra .
“Convertei-vos”...
A fé não se manifesta só em actos solenes, é um lento e longo processo, pressupõe uma gestação como se fosse um nascimento.
Converter-se equivale a transformar-se numa realidade nova!
2COR.5,17-" Por isso se alguém está em Cristo é uma nova criação.
O que era antigo passou; eis que surgiram coisas novas."
Converter-se é, antes de mais , e sobretudo, aceitar Jesus como aquele que “manda “ na nossa vida, como orientador da nossa existência.
Aceitar, não só de forma teórica, mas também vivencial, os valores assumidos por Jesus Cristo.
Mc,10,43b)-44 –" Quem quiser ser grande entre vós, faça-se vosso servo, e quem quiser ser o primeiro entre vós, faça-se servo de todos".
A conversão vai mais longe que a simples mudança de costumes, e o simples retorno á lei moral .
E nada disto terá valor se não nascer de um coração novo!

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

O que o Cristão devia saber hoje !


Que a nova aliança, em Jesus Cristo, é um compromisso.
Que sem ressurreição, é vã a nossa fé.
Que Jesus Cristo é o caminho.
Que o maior mandamento é o do Amor.
Que a maior preocupação é o serviço.
Que a Palavra de Deus é Rocha em que assenta a nossa vida.
Que Jesus Cristo é o filho de Deus.
Que nos enviou o seu Espírito Santo.
Que é o Espírito Santo que Liberta, Ensina, Recorda, Conduz…
Que a Palavra de Deus, em vez duma sobrecarga, é uma libertação.
Que o Cristão é (e deve ser) uma carta de Cristo:
Na família.
Na comunidade.
Na vida!


(Um excerto do trabalho “ Ser Cristão, á luz da Bíblia “ com os Romeiros das Sete Cidades)
(26 /02 /07)

sábado, 1 de agosto de 2009

A Bíblia será nova Evangelização !


Lida no início ou no fim de cada dia
À espera do autocarro ou do comboio,
Na viagem ou no intervalo do trabalho,
Na Família ou numa reunião de Grupo.
Estudada nos bancos da Escola ou da Universidade.
Nos Cursos Bíblicos ou na Catequese.
Proclamada na Liturgia ou nos Encontros.
Reflectida nos Grupos Bíblicos ou noutros Grupos de crentes.
Partilhada em clima de fé, oração e compromisso.
Confrontada com a nossa vida e as realidades de hoje.
Ensinada pelos Professores, Catequistas e Pastores.
Explicada pelos crentes aos catecúmenos ou aos menos crentes.
Meditada na leitura individual ou em Grupo.
Rezada no culto, na vida em família e na intimidade.
Dialogada com Deus e com os homens.
Transmitida com amor e entusiasmo aos não crentes.
Anunciada com as palavras e com a vida.
Traduzida em gestos, símbolos e vida humana…

XXVII Semana Bíblica nacional……… (Autor anónimo)

terça-feira, 7 de julho de 2009

A Igreja e a Palavra



A Igreja nasce da escuta da Palavra de Deus.
ACT.2,42 e 46 – Eram assíduos ao ensino dos apóstolos, à união fraterna, à fracção do pão e às orações. Como se tivessem uma só alma, frequentavam diariamente o templo, partiam o pão em suas casas e tomavam o alimento com alegria e simplicidade do coração.
Louvavam a Deus e tinham a simpatia de todo o povo, e o Senhor aumentava todos os dias o número daqueles que tinham entrado no caminho da salvação.
Palavra = Ponto de Encontro = Base de Comunhão = Garantia de união = Força de Unidade = MT.7,24 “ Todo aquele que escuta estas minhas palavras e as põe em prática é como o homem prudente que edificou A sua casa sobre a rocha.”
Uma Igreja Bíblica é aquela que se edifica sobre os alicerces firmes da Palavra de Deus.
A Igreja Celebra a Palavra.
Celebrar a Palavra será entrar em comunhão de vida com Cristo, “O Verbo Encarnado!”
Para “celebrar” primeiro tem que se “viver”!...

A Igreja vai-se edificando e crescendo, se escutar a Palavra de Deus, o mesmo será dizer, se aceitar, a influência do Espírito Santo que é o pedagogo prometido e já presente, O que ensina tudo o que foi ensinado e ajuda a entender o que é anunciado.

A Igreja Vive da Palavra
SL.1,3 – O justo, o que escuta a Palavra de Deus e a põe em prática é como a árvore plantada à
beira da água corrente. Dá fruto na estação própria e a sua folhagem não murcha…
DT.30,11-14 –" A Lei está muito perto de ti, na tua boca e no teu coração para a praticares…"
LC.6,43 – "Não há árvore boa que dê mau fruto, nem árvore má que dê bom fruto.
A árvore conhece-se pelos frutos."
Mt,13,19-"A Palavra de Deus é semente que contém vida em si própria. Depois de A escutarmos, a Palavra fica em nós e vai produzindo o seu efeito. Tal como a semente ao cair em boa terra, vai germinando quer o homem durma ou esteja acordado, quer seja noite ou seja dia, quer chova ou faça sol…
"

A Igreja Anuncia a Palavra
2PED.1,19-21 – "A Palavra de Deus é uma lâmpada que brilha num lugar escuro até que a estrela da manhã nasça em vossos corações…"
LC.8,16 – "Ninguém acende uma candeia para a cobrir com um vaso ou para a esconder debaixo da cama, mas coloca-a no candelabro para que vejam a luz aqueles que entram."
A Eucaristia evangeliza os que nela participam
CRISTO está presente na SUA PALAVRA; pois é Ele que fala quando é lida e proclamada a Sagrada Escritura.
A Homilia é instrumento valioso e adaptado para a evangelização.
Se
comunicar a boa nova.
Se der razões de viver com esperança.
Se for preparada e transmitida com amor.
Se tiver em conta os ouvintes ( uns, abertos e disponíveis, outros que resistem à conversão, outros endurecidos nas suas posições…)
Se levar as pessoas a contemplar a Deus e a celebrar o que Ele Fez e Faz em favor dos homens.
Se orientar para o encontro com Deus.
Se falar ao coração dos ouvintes
Se tiver em consideração a Palavra, na era da imagem…

ACT.2,37-" Ouvindo estas palavras ficaram emocionados até ao fundo do coração e perguntaram a Pedro e aos outros apóstolos : que havemos de fazer, irmãos?"
Na liturgia da palavra não é apenas uma mensagem divina que escutamos, é a Pessoa do próprio Deus que se torna presente!
(trabalho baseado na DEI VERBUM)
Secretariado Biblico de S. Miguel

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Convivio entre Grupos Bíblicos na Caloura

A manhã do dia 2 de Julho nascera radiosa e colorida! Era um apelo ao convívio e à alegria!
O Encontro deste dia ia ser na Caloura, em casa dos amigos e membros do Secretariado, João e Maria Ilda Cardoso.
Pouco passava das nove horas e já o bulício se fazia sentir na residência:
Eram as saudações dos que chegavam, esperançados e contentes e o acolhimento dos que já esperavam os amigos.
Por volta das dez horas estavam reunidos os três grupos” PEDRAS VIVAS “, “VIDEIRA “- e“RENASCER “.
Estavam todos prontos para cantar, escutar e partilhar a PALAVRA DE DEUS E A VIDA.
A casa estava cheia de tudo: amigos, alegria, cartazes, arranjos florais e símbolos da PALAVRA.
A natureza, ao nosso lado direito, completava e embelezava ainda mais a nossa manhã!
Deus estava ali!
Depois dos cânticos, ao gosto de todos, seguiu-se a reflexão sobre a “Lectio Divina” para a leitura da Bíblia.
Para aplicação do que fora observado no painel, lemos: LC.6,27-36; RM.12,9-16; 1COR.13,1-3;
1TSS.5,15-21 e, como encerramento, 1 TSS.5,23-28.
Alimentado o espírito, seguiu-se a partilha dos alimentos confeccionados e trazidos pelos grupos e pelos anfitriões.
A refeição decorreu igualmente sob o signo da alegria e da fraternidade.
Como uma espécie de sobremesa, e após o almoço, fomos brindados com uma citação bíblica que cada um leu em voz alta e partilhou livremente com todos.
Estava assim realizado mais um encontro e vivido mais um dia
para todos recordarmos e revivermos nas nossas vidas…
Pois foi um dia de abundância das graças de Deus e dos irmãos!
GLÓRIA AO SENHOR JESUS CRISTO!

A coordenadora do Secretariado Bíblico
Maria Regina Pinheiro

terça-feira, 16 de junho de 2009

Visita ao Grupo Bíblico " Espírito e Vida "



COM O GRUPO “ ESPÍRITO E VIDA” ,no Livramento
Na noite de 15 de Junho, pelas 20h,fomos ao encontro do grupo “ Espírito e Vida”.
Éramos três elementos do Secretariado e juntámo-nos numa casa particular com
mais doze ou treze pessoas para, igualmente ESCUTAR - PARTILHAR E REZAR A PALAVRA DE DEUS.
Tal como nos noutros encontros, fez-se um apelo à “ lectio divina” proposta pelos Franciscanos Capuchinhos, através do painel que nos forneceram.
Centrados no tema AMOR, lemos RM.12; ICOR.13,1-3 e TSS.5,16-22.
O ambiente criado convidava à comunhão entre todos. A simplicidade e a humildade dos que nos recebiam, eram contagiantes e eloquentes.
Foi um encontro que nos encheu de júbilo e de gratidão!

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Visita ao Grupo Bíblico " Espírito Santo "




No dia 4 de Junho, também uma quinta feira, sete elementos do Secretariado
estavam na Maia para , juntos, ESCUTAR, PARTILHAR E REZAR COM A PALAVRA DE DEUS.
O Grupo “Espírito Santo” tinha reunido naquela tarde entre três a quatro dezenas de pessoas, numa grande sala, no Salão Paroquial da Freguesia.
Como vai sendo habitual, desde há muito tempo, o Secretariado Bíblico foi acolhido com simpatia e carinho.
Através do painel fornecido pelos nossos Irmãos Franciscanos Capuchinhos, analisámos, em conjunto, os diversos”passos”da “ lectio divina” para uma leitura da Bíblia.
Lemos e escutámos IS.50,4-8; ROM.7,24-25 E JO.10,10 para se demonstrar na prática o que ia sendo observado no painel.
Houve um tempo alargado de PARTILHA DA PALAVRA E DA VIDA.
Foi também considerado oportuno dar conhecimento ao Grupo “ ESPÍRITO SANTO” do conteúdo do nosso blog, que foi mostrado e apreciado pelos presentes.
O tempo terá sido pequeno para um encontro tão grande! Mas foi o possível!
Depois de cânticos e abraços, regressámos com o coração, mais uma vez, transbordante de PAZ
e da ALEGRIA de quem sente a presença de Deus!

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Visita do Secretariado ao Grupo Bíblico "São Paulo" na Ribeira Quente


No mês de Maio, na “ Quinta-feira do Senhor Santo Cristo”, o nosso encontro deu-se no salão paroquial da Ribeira Quente.
Éramos oito elementos do secretariado e umas três dezenas de amigos que, junto com o seu pároco, nos aguardavam naquela tarde soalheira. O ar vestia-se das cores da primavera e da alegria de amigos que se abraçam, que sorriem e que acolhem quem chega, com afabilidade e carinho.
A sala estava lindamente preparada e o ambiente muito apelativo. O painel principal, na parede de fundo e em que se via S. Paulo em grandes dimensões, com a legenda: AI DE MIM SE NÃO EVANGELLIZAR dava o mote para a reflexão: uma “lectio divina” para a leitura da Bíblia Act.7,54-60 ; Act.8,1-3 e Act.9,19-22Houve ESCUTA- PARTILHA- ORAÇÃO .
Aproveitou-se a oportunidade para distribuir documentos respeitantes ao tema tratado em “UM DIA COM A BÍBLIA” (25 de Abril)em que o tema foi O CHAMAMENTO DE DEUS e em que o grupo “ S. Paulo” não pôde estar presente. A despedida, igualmente carinhosa e gratificante, deixou-nos com o coração cheio de graça e de vontade para continuarmos empenhados na ajuda da divulgação e vivência da PALAVRA DE DEUS.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Dom Ravasi "Cada um deve ter uma Biblia"

Cardeal Ouellet - A "redescoberta"da Biblia no Sinodo dos Bispos

A Palavra de Deus


Introdução - Sou feliz porque estou a descobrir, que é a Palavra que me dá a conhecer Deus. Nunca vi o rosto de Deus, mas sei que posso conhecê -Lo através da sua Palavra!
A Palavra faz-me escutar o que Deus tem para me dizer, e faz-me dizer a Deus o que eu quero que Ele escute de mim.
Pela Palavra posso ir descobrindo o rosto de Deus, no rosto de cada irmão, de cada irmã, de cada pessoa…
Sou feliz também porque começo a ter o discernimento .que me torna capaz de escolher a Palara de Deus, como a minha referência e como minha prioridade.
Creio que esta Palavra tem, a força suficiente para modificar e mesmo alegrar a minha vida.
A Palavra de Deus é ...
-Semente: "A Palavra de Deus é semente que contém vida em si própria". (MT.13,31
-Rocha : …"Caiu a chuva, engrossaram os rios, sopraram os ventos contra aquela casa; mas não caiu porque estava fundada sobre a rocha".(MT7,25)
-Fonte de Água Viva : …"Respondeu-lhe Jesus: se conhecesses o dom que Deus tem para dar e quem é que te diz “ dá-me de beber “, tu é que lhe pedirias e Ele havia de dar- te Água Viva". (JO.4,10)
-Pão : "Eu sou o Pão da Vida" (JO.6,48)
-Luz: Jesus falou-lhes novamente:" Eu sou a Luz do Mundo, Quem me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida".(JO:8,12)
-O próprio Jesus Cristo : "E o Verbo fez-se homem e veio habitar connosco".(JO:1,14
-A Palavra é Espirito e Vida: "As palavras que vos disse são Espírito e Vida". (JO.6,63)
-A Palavra de Deus onde está? "Na verdade, esta lei que hoje te prescrevo, não é muito difícil para ti, nem está fora do teu alcance. Não está no céu para se dizer: “ Quem subirá por nós até ao céu e No-la irá buscar para a escutarmos e praticarmos? Não está tão pouco do outro lado do mar, para se dizer : “ Quem atravessará o mar e no-la irá buscar para a escutarmos E praticarmos? A lei está muito perto de ti, na tua boca e no teu coração, para a praticares". (DT.30,11-14)Assim para quem quer ter um encontro pessoal com DEUS, recomenda-se : «COM A BÍBLIA NA MÃO E O DEUS DA BÍBLIA NO CORAÇÃO ».

A Palavra de Deus para que é ?
È para ser: Proclamada, Escutada, Partilhada, Vivida e Anuciada…

-Quem são os ouvintes da Palavra?
Os que procuram a Libertação, os que como um terreno lavrado, esperam a sementeira, que será garantia de vida em abundância. São os coração puro, são os que se acham “pequeninos “, e querem “ nascer de novo “.Maria e José, Zacarias e Isabel, Ana e Simeão, JoãoBatista, os
Apóstolos, a Samaritana, Zaqueu, os Pastores de Belém, e muitos outros, foram os ouvintes desta Palavra.
Hoje, somos nós, os ouvintes, aqueles que querem escutar, para depois partilhar e viver o projecto de salvação de Deus , fazendo da Palavra motor da nossa acção como testemunhas de Jesus Cristo Ressuscitado.

Paz e Bem.
A Coordenadora do Secretariado Bíblico de São Miguel
Maria Regina Pinheiro

2017 Ano litúrgico A

2017 Ano litúrgico A

BIBLIA = BIBLIOTECA

BIBLIA = BIBLIOTECA

Trabalhos em PowerPoint disponiveis para Download

Trabalhos em PowerPoint disponiveis para Download

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Obrigado pela sua visita
Volte sempre e
fique com Deus!

"Porque esta PALAVRA está muito perto de ti, na tua boca, e no teu coração, para a cumprires" (Deut.30.14)