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A Sagrada Escritura é o conjunto dos livros escritos por inspiração divina, nos quais Deus se revela a si mesmo e nos dá a conhecer o mistério da sua vontade.

O Antigo Testamento contém a revelação feita por Deus antes da vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo ao mundo.

O Novo Testamento contéma revelação feita directamente por Jesus Cristo e transmitida pelos Apóstolos e outros autores sagrados. «A Sagrada Tradição e a Sagrada Escritura estão intimamente unidas» (Dei Verbum 9)


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2017 Ano litúrgico A

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quarta-feira, 25 de novembro de 2009

"S. Francisco de Assis e a Palavra de Deus"

S. Francisco viveu a sua vida com a consciência profunda do valor permanente e definitivo da Palavra de Deus. Santa Clara, como boa discípula do Santo de Assis, não fez mais do que seguir o seu exemplo e as suas palavras.

1. S. FRANCISCO DE ASSIS E O SEU AMBIENTE MEDIEVAL
S. Francisco de Assis, fazendo da sua vida e da dos seus um seguimento fiel de Cristo à luz do Evangelho, actuou na mais pura obediência à Igreja. Por isso, a sua reforma perdu­rou até hoje. S. Francisco quis também seguir “a altíssima pobreza de Nosso Senhor Jesus Cristo”, não como Valdo.
Francisco sentia-se o arauto de Cristo, o portador de um Evangelho, uma Boa-Nova para toda a gente. Assim, na Carta a todos os Fiéis, afirma: “A todos aqueles a quem chegar esta carta, rogamos pela caridade que é Deus (1 Jo 4,16) que benignamente acolham as sobreditas odoríferas palavras de Nosso Senhor Jesus Cristo; e aqueles que não sabem ler, peçam a outros que lhas leiam com frequência”.

2. Palavra, fonte da sua vida e dos seus escritos
2.1. Os gestos e atitudes de Francisco:
Os gestos e as atitudes de Francisco exprimem, mais que as suas palavras, o amor à Palavra de Deus, ou mais ainda, à Pessoa de Cristo. Para Francisco, as palavras de Deus são, acima de tudo, a pessoa de Jesus Cristo.
A primeira etapa deste itinerário bíblico de S. Francisco é a pequenina igreja de St. Maria dos Anjos, a etapa do chamamento à Palavra de Deus, à conversão, depois de escutar o Evangelho da missão dos Apóstolos, na festa de S. Matias. Por isso, este amor à Palavra perpassará toda a sua vida até ao fim, até ao seu Testamento, que lembra esta “revelação” de Deus:
“E depois que o Senhor me deu o cuidado dos irmãos, ninguém me ensinava o que devia fazer; mas o meu Altíssimo me revelou que eu devia viver segundo a forma do Santo Evangelho. E eu assim o fiz escrever em poucas e simples palavras e o senhor Papa mo confirmou” (Test. nº 15).

2.2. Encontro com Cristo-Palavra. Quando o caminho lhe parece demasiado tortuoso, incerto, obscuro; mesmo quando não duvida, é a consulta da bússola do Evangelho que lhe indicará o Norte.
a. Quando Bernardo pede para viver o mesmo ideal, Francisco consulta o Evangelho.
b. Quando se encontra, entre um modo de vida conventual ou mais voltado para a vida activa, vai pedir a Sta. Clara que consulte o Evangelho. Mesmo doente ou impedido de participar na liturgia, lia ou pedia que lhe lessem o Evangelho do dia. A leitura da Palavra da Escritura é um meio para o encontro com a Pessoa de Cristo.

3. A Palavra nos escritos de S. Francisco: Como lia Francisco a Bíblia?
3.1.
Não fez tratado sistemático sobre a Bíblia, mas descobriu os seus valores, o coração da Palavra.
3.2. O vocabulário bíblico de Francisco é simples: Palavra, santas palavras, “santíssimas palavras divinas”, “palavras divinas”, “palavras de Deus” “palavras de Deus”, “palavras de Cristo”, “palavras do Senhor”, “palavras ordenantes do Senhor”; “Evangelho”, “Santo Evangelho”.
3.3. Mas esta simplicidade de vocabulário contrasta com a presença massiva de citações bíblicas: 156 citações do Antigo Testamento; 280 citações do Novo Testamento, de quase todos os livros. Na Regra de 1221 há 110 citações; na de 1223 há apenas 15; mas todas as suas afirmações se aproximam de frases da Escritura.
3.4. Francisco comenta a Bíblia com palavras da Bíblia, iluminando palavras do Antigo Testamento com Novo Testamento. Isso indica que Francisco tinha percebido a unidade intrínseca dos 2 Testamentos.
3.5. Outras vezes cita a Palavra de Deus com certas modificações, acrescentando o seu comentário pessoal. Fez um pequeno tratado de exegese na 7ª admonição, em sentido literal e espiritual.
3.6. Ele vê o grave risco que é ficar na letra, isto é, no humano, material das Escritura que, com suas técnicas de interpretação, não fazem ver o Espírito de Deus.
3.7. O horizonte bíblico de Francisco é amplo. Não se fixa só nalguns textos evangélicos! As duas Regras insistem na missão e no radicalismo evangélico; os outros escritos, outros aspectos. Vê sobretudo o Novo Testamento e neste os Evangelhos com 191 citações (Mt 75; Mc 15; Lc 58; Jo 43).
3.8. Mas em Francisco não é a estatística que conta, porque o espírito bíblico dos seus escritos encontra-se também em muitas outras palavras suas, que são citações implícitas de textos bíblicos.
3.9. Francisco não ignora que, além de Palavra de Deus, a Bíblia é também essencialmente palavra humana; por isso, deve ser estudada para ser melhor compreendida.
3.10. Mas o melhor estudo não era o dos livros: “Considero a vida eterna como valor supremo e o que no estudo das Escrituras é um investigador humilde e sem presunção, esse chegará facilmente do conhecimento de si mesmo, ao conhecimento de Deus” (LM XI, I).
3.11. Este amor à Palavra leva-o a esquadrinhar o seu sentido, como Maria (Lc).

4. Conclusões
a) Os escritos de Francisco, que têm origem em situações vitais e não em preocupações académicas, reflectem o seu itinerário bíblico pessoal.
b) A sua fé na Escritura faz proclamar a comparação Eucarística – Palavra de Deus (Test. 8-13).
c) Se acreditamos que Jesus Cristo é Senhor dos que vivem a sua Palavra, teremos que concluir que Ele era verdadeiramente o Senhor de Francisco, com quem este se enamorou. d) Por tudo o que acabamos de afirmar, Francisco é para nós um modelo na vivência da Palavra.

Frei Herculano Alves, OFMCap. (trabalho apresentado no 3º dia da XV Semana Bíblica Diocesana 25/11/09)

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